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Escrito por Edmilson às 22:01:33
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Escrito por Edmilson às 21:32:36
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08 de julho, dia do panificador


Em 1998 - Niquita aos 64 anos, com seu filho Edmilson.


Em São José do Seridó quando o assunto é pão não há como não falar em niquita. Numa data tão importante não podemos esquercer que durante décadas foi ele o responsável pelo fornecimento de uma diversidade de produtos entre eles o  popular pãozinho... quem nunca foi lá na padaria tomar um refresco (suco) de laranja acompanhado de um pão? ou se deliciar com um dindin bem gelado?

Na festa de setembro, como é mais conhecida as festividades ao padroeiro que dá nome a cidade, era comum as pessoas assarem bolos e carnes na padaria de niquita. Durante a noite era um dos pontos visitados por saojoseenses, tanto aqueles que residiam na cidade, como os que vinham rever os parentes e amigos (mais conhecidos como sãojoseenses ausentes), além de uma diversidade de visitantes. Era uma época boa, a cidade era muito mais pacata que hoje, a cordialidade e amizade entre as pessoas pessoas era algo admirável, todos se conheciam, era como se fosse uma só família. As divergência, porém ocorriam somente na época da política para prefeito, onde os ânimos se exaltavam entre os moradores da cidade.

Política essa pautada apenas em interesse de poucos e no abandono de muitos, ocasionando o subdesenvolvimento da cidade há 40 anos, proporcionando uma migração muito grande de seus moradores para os grandes centros principalmente para São Paulo, a fim de uma vida mais digna e a busca de oportunidades de uma vida melhor, assim como praticamente todas as famílias saojoseense a família de niquita também foi atinginda pela migração, quatro dos seis filhos de niquita vivem fora da cidade, sendo três em São São Paulo e um em Salvador (vide foto acima).

O INÍCIO DE TUDO

Em 07 de fevereiro de 1936, o Brasil vivia o governo de Getúlio Vargas na iminência do Estado Novo de 37, período que traria muitos acontecimentos para o país dalí em diante. São José do Seridó era apenas mais uma cidade esquecida no tórrido sertão nordestino, mas nascia alí numa família simples, Francisco Antonio de Oliveira que depois viria ter o apelido de Niquita, isso mesmo com letra maiúscula pois foi assim que ficou conhecido para sempre.

No início ficava irritado com os colegas do antigo primário hoje ensino fundamental, quando era chamado de niquita percebendo que em quanto mais irritado ficava mais os colegas o apelidavam, deixou pra lá, se acostumou e passou a aceitar. O que chama atenção é que poucos sabem o seu nome, os mais jovens confundiam achando que Niquita era o nome de sua esposa D. Ana, esta sempre ao seu lado ajundando a criar os filhos e assiduamente o acompanhava à noite na padaria. Era uma época difícil, aos 15 anos perde seu pai que morreu após sofrer uma queda, era o começo de muitas dificuldades.

A PROFISSÃO

Nos anos 60, quando ainda muito jovem Niquita começou aprender os primeiros ensinamentos do ofício de padeiro, os anos se passaram, trabahando com muito entusiasmo e dedicação tornou-se sócio e a consequência foi tornar-se dono de seu próprio negócio. Foi ao lado do seu assistente Tico Coco que durante décadas produziu o melhor pão da região, infelizmente no início dos anos 80 sofreu a concorrência de uma padaria instalada por Simão, hoje empresário no ramo de confecções.

Foi um momento difícil, não bastasse a concorrência que ameaçava a sua padaria, Niquita ainda sofrera ameaça pessoal dentro de seu próprio estabelecimento pelo prefeito de então, Bosco Costa acompanhado de seu irmão conhecido como "preto", mas não se amedrontou manteve-se firme, até que devido ao pouco capital que tinha para investir, viu-se obrigado a se desfazer de sua padaria, era o fim de anos de muito trabalho e dedicação.

Em 2006, no aniversário de 70 anos, com a esposa, D. Ana; a filha, Maria; e os netos César e Mateus. 

O CASAMENTO, A FAMÍLIA, OS FILHO, OS AMIGOS

O tempo passou e hoje, Niquita está aposentado, sofre do mal de Parkinson (doença que atinge o sistema nervoso central), é um cidadão respeitado, conhecido por todos e firme nos seus ideais. É amado pela família e pelos amigos que conquistou ao longo dos anos, em novenbro desse ano fará 50 anos de casamento - bordas de ouro - conquistados com respeito, amor, compreensão, fé e perseverança de quem sempre soube enfrentar com coragem as dificuldades que a vida oferece.

De uma coisa a imensa maioria dos saojoseenses sabem que, desde o início até hoje muita coisa passou umas boas outras ruins, mas uma coisa ficou na lembrança das pessoas, a saudade daquele pão quentinho no iníco da manhã ou início da tarde. Outras padarias abriram e fecharam as portas em São José do Seridó cada uma com sua característica, mais nenhuma fabricou o pão com a qualidade da padaria de Niquita.

 



Escrito por Edmilson às 14:40:48
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